sábado, 11 de fevereiro de 2012

Eu confesso

Em casa nessas tardes comuns
Em frente à televisão
Assistindo triviais cartuns
Com gosto de alienação

As ondas me trouxeram o feliz
Dulcíssimo som de sua voz
E aquele que à razão contradiz
Pulsou num baticum veloz

Soube naquele momento
Que o céu à terra desceria
Em um mergulho suave e sereno

Substituindo a tediosa harmonia
Por esse quente e feroz sentimento
De cheiro, tato, suor e alegria

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Ah, se eu pudesse.

Se eu pudesse nos teus olhos não olhava
Nem ouvia tua doce voz
Se eu pudesse tua pele não tocava
Nem ardia o fogo que há em nós

Se eu pudesse não lembrava dos beijos teus
Não sentia, nem de leve, essa paixão
Se eu pudesse pediria, então, a Deus
Que me desse sua piedosa absolvição

Do pecado de amar esse detalhe pequeno
Tão grande que toma por inteiro
Que me sequestra nesta tarde de sereno
E rouba o inquilino em meu peito.

Entrelinhas...

Como chamo o que não posso nomear?
Como tenho o que há tempos não quis segurar?
Como vejo se a sombra é escura?
O peito palpita, de alegria, ou de medo?
Que cor, que sabor, que textura!
Eu que havia me esquecido do poeta...
Relembrando os momentos de entrega
Em tinta me faço de novo
Amante do prazer e do gozo
De escrever, amar e ser dela.

Tristeza não tem fim... Felicidade sim!

Descobri em blog que tive em 2009...

sábado, 24 de janeiro de 2009
Eita que o poeta tava certo!
Hoje Brochei! Sim, descobri que Mariana Brochado vai abandonar a natação, que Ronaldo Gordômeno perdeu entre cinco e sete quilos e tudo o que os maquiadores estão dizendo para esta estação...
Santa paciência!
Tudo isso é meio inócuo, ou eu que sou crítico demais?
Às vezes viver é difíci...
Tem gente com frescura demais neste lugar.
E Ele ainda nos disse para não nos preocuparmos demais!
Amanhã Deus há de nos prover!
Agora chega!
Té mais

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Canção de ninar

Dorme benzinho... enquanto és neném.
Dorme benzinho... que a manhã já vem.

Deita a cabeça no meu colo...
Feche os olhinhos devagar.
Adormeça enquanto ainda é cedo
E você não precisa sonhar.

Dorme benzinho... que a manhã já vem.

Dorme benzinho... enquanto és neném.

Dorme seu soninho tão ingênuo.
Que há muito o que explorar,
Descobrindo o desconhecido,
Navegando vagas de além-mar.

Dorme benzinho... enquanto és neném.
Dorme benzinho... que a manhã já vem.

A canção dentro de mim.

Se você disser que eu sou pessismista.
Não entende o mundo como eu.
Não enxerga o preto e branco disso tudo,
Nem escuta o silêncio dessa canção

Eu ainda acredito, pode acreditar...
E tento não naufragar,
Já que sei que navegar é preciso.

Ouço a canção dos mares.
É uma melodia de esperança.
Tudo indo e tudo vindo.
Na verdade, é esta a canção dentro de mim

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Frio julho

        Choveu a noite inteira. Era julho. Dia doze para ser mais claro. E eu passei a madrugada inteira te vendo dormir. Um misto de paz e solidão. Um sorriso querendo escapar nos cantos da boca. Como se quisesse aproveitar os últimos momentos de felicidade. Quis te acordar. Pedir desculpas. Vou te fazer sofrer amanhã. Queria que entendestes! Ah! Porque as coisas são difíceis, tão difíceis para que enxerga a vida com a facilidade racional? Quem dera pudesse dormir também e só acordar quando tudo já tivesse acabado. Covardia! Enfrente a verdade! Olhe nos olhos! Diga! Mas, com ternura.
        Amanheceu. Mas você ainda madruga. Espero ansiosamente. Já preparei todo o discurso. A verve investida na preparação do sarau de mentiras e meias-verdades. A polidez medíocre dos fracos. A prisão fraseada do leão de homem.
        E eis que você desperta. Calmamente me alisa o rosto. É melhor esperar. Não é justo descarregar tamanha avalanche de emoções em alguém recém desperto. Calo. Você se banha. Parece perceber um certo ar sorumbático no meu bom dia. Lhe chamo. Sentas na cama. Anuncio. Choras. Choro. Me desculpo. Invento explicações que você não quer receber. Saio. Choras.