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sábado, 25 de fevereiro de 2012

Bagunça

E na bagunça de nossas pernas
A poesia em mim se faz ereta
e umedecida, em ti se faz canção

Melodia que em teu corpo penetra
Um dueto, gostosa baderna
Cantado com suor, à exaustão

Dois corpos e duas palavras
Cabelos, dedos, pele avermelhada
A explosão do gozo e da paixão

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Castigo, injustiça e cansaço.

Eu olho tua a pele castigada
E olhos cansados de ver injustiça
Procuro o brilho de outras madrugadas
E a força daquelas treliças

Que soerguiam a sinuosa estrada
Por onde seguiram cargas pesadas
Por onde passou gente perdida

E vejo apenas a pele cansada
A injustiça da íris castigada
O fragilidade de treliças quebradiças

E me vejo capataz e algoz
Injusto, selvagem e feroz
Engenheiro daqueles nós
E me vejo de novo a sós

Eu confesso

Em casa nessas tardes comuns
Em frente à televisão
Assistindo triviais cartuns
Com gosto de alienação

As ondas me trouxeram o feliz
Dulcíssimo som de sua voz
E aquele que à razão contradiz
Pulsou num baticum veloz

Soube naquele momento
Que o céu à terra desceria
Em um mergulho suave e sereno

Substituindo a tediosa harmonia
Por esse quente e feroz sentimento
De cheiro, tato, suor e alegria

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Como maré...

A vida é como a maré...
Alguns dias são de maré alta...
Dias de fartura...
Sobra vida nos mangues...
O pescador navega em sorrisos...
A gaivota dança sobre as águas.

Alguns dias são de maré baixa...
Dias de escassez.
A morte beija as margens...
As lágrimas marginais...
Empobrecem vidas.

Se a gente parar e prestar a atenção um bocadinho...
Como a maré,
A vida também tem um ritmo.

Observando um tempo saberemos
Prever mesmo quando a vida
Estará de maré alta
Ou baixa.